ANÁLISE/REview: Resident Evil 3 (2020)


Foram anos de espera por uma nova versão de Resident Evil 3. Anos mesmo porque antes mesmo de se quer quer a Capcom anunciar um remake de Resident Evil 2 em 2015, já vinha sido pedido em conjunto uma nova versão do clássico de 1999 que narra a trajetória de Jill Valentine pelas ruas de Raccoon City em busca de sua fuga. Felizmente, a nova versão chegou e você confere o nosso REview aqui:


Antes de qualquer coisa, irei assumir uma postura mais pessoal e dizer que minha experiência com o jogo pode ser totalmente diferente da sua. Use os comentários apenas como guia e considere que eu, Gabriel Scórsin, autor desta página, tem muito carinho pelo Resident Evil 3 original, esperou por muito tempo essa nova versão, não chegou a colocar expectativas altas no jogo e tem Jill como personagem favorita. Ou seja, eu gostei MUITO do jogo, estou jogando direto em busca do platina, mas entendo completamente a decepção por parte dos jogadores.


INTRODUÇÃO

Para começar essa análise, já adianto que Resident Evil 3 é um ótimo game e que com certeza vai animar os fãs. Há muitos elementos nostálgicos de fazer os fãs de carteirinha se emocionarem (lógico, mais àqueles que são bem apegados com o original). Ao mesmo tempo, dependendo da expectativa que você colocar, pode levar um tombo muito feio já que várias coisas do clássicos foram deixadas de lado.

Resident Evil 3 começa com Jill Valentine de uma forma que nunca havíamos visto anteriormente. A policial do S.T.A.R.S., após o Incidente na Mansão Spencer, ficou obcecada em tentar desvendar a verdade sobre a Umbrella Corp. para o mundo. Entretanto, como já sabemos, o chefe de polícia Brian Irons, comprado pela Umbrella, fez de tudo para esconder e arquivar o ocorrido em Julho de 1998. Jill é suspensa por Irons e tem que ficar em casa, quase uma espécie de "prisão domiciliar", sendo vigiada dia e noite por homens de Irons e da Umbrella, Jill decide nem se quer sair do seu apartamento e fica "curtindo" sua suspensão na polícia investigando a corporação. O início do jogo já passa toda a preocupação e carga emocional em que Jill já está. Ela tem pesadelos constantes, está toda insegura em relação a sua infecção ao T-Vírus (pois suspeita que pode desenvolver a doença já que esteve em contato com o vírus na Mansão Spencer), trabalha dia e noite para poder continuar sua investigação. Toda essa correria colocam Jill totalmente despreocupada com o que acontecia pela cidade. Quando a jovem recebe um telefonema pedindo para sair de seu apartamento, é quando todo o caos começa.



ENREDO / O INCIDENTE EM RACCOON CITY

Tanto pedimos uma Raccoon City em detalhes e em boa definição! Felizmente, a Capcom conseguiu fazer Raccoon ficar absurdamente bonita com uma riqueza enorme de detalhes que a RE Engine é capaz de trazer. A parte ruim de Raccoon City? Vários trechos da cidade são muito lineares. Estabelecimentos clássicos podem ser passados por menos de 30 segundos em alguns trechos de gameplay. Isso já aponta um enredo muito acelerado em que vários fatos, inclusive alguns muito importantes, são mostrados com muita rapidez e já demonstrando que Raccoon City merecia muito mais, não só mais cenas, mas maior ênfase ao desenvolvimento e história da cidade, visto que no clássico de 1999, a todo momento encontrávamos arquivos falando sobre a história da cidade, monumentos, geografia etc.


Ainda assim, o incidente é mostrado de forma positiva. O desastre da cidade é acompanhado por inúmeras explosões, mortes, tiros e bagunça por todo lado. Os minutos que o jogador passa em Raccoon City consegue passar a tamanha catástrofe que o T-Vírus causou e também a levar um pouco de nostalgia ao revisitar a metrópole icônica cheia de easter eggs. Ao desenrolar do jogo, também é descoberto alguns novos pontos e cenários de Raccoon City. De forma geral, a cidade está muito bonita e com o incidente biológico bem mostrado. Porém, a Capcom perdeu uma oportunidade de enfatizar ainda mais a história da cidade e que poderia dar uma carga emocional ainda maior ao jogo.


ENREDO / JILL VALENTINE

Como dito anteriormente, Jill está praticamente depressiva depois do Incidente na Mansão. Suspensa de seu trabalho e com ordem de se manter em casa, Jill tem constantes pesadelos, alucinações, perda de apetite, insônia etc. A cabeça dela está tão caótica quanto Raccoon City. Felizmente, Resident Evil 3 consegue entregar a nós a icônica e grandiosa Jill Valentine em sua essência e personalidade. Apesar de estar revoltada com a Umbrella e mostrar isso em diálogos com os mercenários da U.B.C.S., ao mesmo tempo, ela se solidariza com os agentes que tentavam salvar civis. A personagem sempre foi descrita por ser muito justa e amigável. Vemos bastante disso durante o desenrolar do jogo, principalmente durante as interações com Carlos Oliveira. Durante o jogo, mesmo os mercenários trabalhando para a Umbrella viram colegas de trabalho e Jill chega a lutar pela vida deles.


Além da personalidade de Jill, as habilidades dela são mostradas com toda a força durante suas batalhas contra Nemesis, perseguições e combates contra monstros ou com Nicholai. O Resident Evil 3 original tinha um espaço muito aberto no meu coração justamente pela jornada de Jill. E o novo consegue manter essa jornada firme. Jill passa por diversos desafios e coisas que ninguém mais conseguiria passar e ainda assim, ao invés de desistir ou recair, está sempre persistindo por sua fuga de Raccoon e para tentar salvar seus colegas. Porém, não vou mentir: poderia ter sido melhor.



ENREDO / HISTÓRIA

Falei que o enredo está muito apressado e isso afetou na história. Fazendo vista grossa, a história está boa com momentos sensacionais de ficar de queixo caído. Entretanto, analisando todas as oportunidades de melhorar ainda mais esse roteiro e até levando em consideração o tamanho da história original, Resident Evil 3 peca em entregar uma narrativa mais simples, acelerada e um pouco superficial no sentido de não trazer a tona alguns elementos muito importantes que ficaram nas entre linhas.


O que deixa a história interessante e divertida são as grandiosas cenas de ação que fazem um equilíbrio perfeito com o terror na gameplay, os fatos que conectam a Resident Evil 2 (2019), as personalidades das personagens e os elementos clássicos que levam o jogador para a nostalgia.


GAMEPLAY

A gameplay, em minha opinião, ficou melhor que Resident Evil 2. Apesar de não poder mais se defender quando os inimigos lhe agarram, Jill e Carlos oferecem algumas mecânicas diferentes como a esquiva de Jill ou contra-ataque de Carlos e os critical hits. Não só isso, mas Jill e Carlos correm mais rápido do que Leon e Claire, o que em alguns momentos ajuda bastante. A jogabilidade deixa o jogador confortável para assumir a pele do personagem.


Em questão de exploração, alguns trechos do jogo são muito lineares e outros trechos exploráveis. Com certeza, alguns minutos de gameplay devem ser reservados para que o jogador passe a observar detalhes, ler files, encontrar recursos para avançar no jogo e resolver alguns puzzles que aliás são bem tranquilos. Está na medida certa? Em minha opinião, ficou legal, mas ainda assim gostaria de uma exploração mais intensa em alguns trechos do game que poderiam ser melhores explorados.


Sobre a duração da gameplay, é interessante citar que diferentemente de Resident Evil 2, o novo Resident Evil 3 conta apenas o tempo de gameplay mesmo. Ou seja, quando as cutscenes ou interações dos personagens em rádio começam, o tempo de ranking para de ser cronometrado. OBRIGADO, CAPCOM! Não curtia ter de ficar pulando as cenas em Resident Evil 2 para conseguir tirar o Rank S. Dessa vez, poderemos apreciar as lindas cenas de ação sem se preocupar com o tempo de ranking. Porém, mesmo o jogo não levando esse tempo em consideração no final, o jogo ainda está curto, uma pena já que alguns minutos a mais poderiam ser adicionados com trechos do jogo clássico. A duração até que está aceitável para um título de Resident Evil, mas que poderíamos ter algo com pelo menos 30 minutos ou 1 hora a mais, poderíamos.


GRÁFICOS

Não há o que reclamar aqui, mais uma vez. É o quarto jogo da Capcom com a RE Engine e como todos os seus antecessores, os gráficos estão absurdamente bonitos. A RE Engine, assim como em RE7, RE2 e DMC5, entrega um nível impressionante de detalhes e realismo. Os modelos dos personagens estão impecáveis e até o design de inimigos ficou impressionante. Outro ponto super positivo do jogo.



SOM

Assim como em Resident Evil 2, o som é um elemento muito importante! Os efeitos sonoros e a ambientação conseguem fazer o jogador ficar imersivo no universo de Resident Evil. É possível guiar-se pelo som para prever o movimento que você deve dar, principalmente com Nemesis (eu já vou falar sobre ele, tá? Eu sei que você tá querendo saber sobre ELE). Em alguns cenários, o desenho de som muda como nos esgotos em que a voz de Jill e efeitos de monstros ecoam por todo lado. De forma geral, é um grande elemento para a imersão e foi muito bem desenvolvido.



TRILHA SONORA

O ponto forte! E com certeza o que mais apela para a nostalgia e emoção! Aos jogadores que lembram da trilha sonora clássica, com certeza vão se emocionar e sentir arrepios ao ouvirem as músicas originais remixadas ou remasterizadas em certos momentos do jogo. Em alguns trechos do jogo, as melodias das músicas clássicas permanecem as mesmas, porém apenas com tons diferentes que combinam-se perfeitamente com o novo jogo. Caso você lembre das músicas originais, prepare-se para um mar de nostalgia! Ah, sim, e não pule os créditos! Capcom, você está de parabéns com essa trilha sonora! Me emocionei o jogo inteiro com as músicas.



NEMESIS


Chegamos nele. O temível Nemesis T-Type, apesar de incrível e grandioso nesse novo Resident Evil 3, também é responsável por algumas decepções. Nemesis é bem pior do que Mr. X ou qualquer outro inimigo perseguidor na série. Ele é forte, rápido, pode ser derrubado até que relativamente fácil, mas logo está de pé novamente e irá surpreender o jogador, irá atrapalhar com certeza a exploração. Então prepare-se para tomar alguns sustos e talvez morrer algumas vezes pelos seus combos (sim, o cara às vezes dá socos repetidos sem mesmo deixar você acessar o inventário para se curar).


Mas aí você lê isso e me pergunta? Qual a decepção? Bom... Em um dado momento do jogo, tudo isso "perde-se" totalmente. Não é possível falar muito porque pode ser considerado spoiler. Mas Nemesis e suas mecânicas super avançadas poderiam ser bem mais exploradas no game (BEEEEM mais exploradas). A minha recomendação é que você não crie tantas expectativas em relação a esse inimigo. Aproveite ao máximo os encontros com ele e também as batalhas de boss que são SENSACIONAIS! Em especial, aproveite ao máximo o Nemesis com a Rocket Launcher porque essa parte, combinada com a música, deixa o jogo muito emocionante e até nostálgico, te fazendo lembrar dos momentos em que você controlava Jill com saia e top batalhando contra o Nemesis com uma bazuca atrás de você.


Com certeza, meus momentos favoritos do jogo foram as batalhas de boss contra Nemesis porque todas são ótimas, desafiantes e divertidas de jogar (com exceção apenas da penúltima que é um pouco mais chatinha mesmo, admito) além de serem acompanhadas por cenas de ação impecáveis.


RESUMÃO

Resident Evil 3 é mais um grande jogo da Capcom que veio como um ótimo presente aos jogadores. Entretanto, ao mudar radicalmente os fatos do jogo original e deixar diversos momentos clássicos de lado, perde um pouco de sua credibilidade. As cenas de ação são espetaculares, Jill Valentine apresenta-se como a grande heroína que é em sua personalidade e essência, Nemesis está apavorante, Carlos bem mais desenvolvido e carismático e a trilha sonora impecável que apela muito para a nostalgia. Esses pontos positivos fazem com que os fãs possam curtir bem o jogo. Mas teria sido bem melhor caso tivéssemos uma exploração mais intensa na cidade e cenários clássicos que foram descartados. O jogador que cria expectativas, até mesmo pequenas sobre esse jogo, poderá se decepcionar muito. Recomendado para todos os fãs de Resident Evil desde que joguem com a mente bem aberta tendo em vista que é uma reimaginação. Aos fãs novos da franquia, com certeza vão gostar bastante e se divertir com o jogo.



NOTA FINAL: 9,0 / 10

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