Recebemos antecipadamente o mais novo título de ficção científica, ação e aventura da Capcom – e já adiantamos que aqui há potencial de no mínimo uma indicação de jogo do ano
Dirigido por Cho Yonghee (diretor de arte em Resident Evil 3 Remake) e com participação do lendário Yasuhiro Anpo (diretor de Resident Evil 2 Remake, Resident Evil 4 Remake e Resident Evil Revelations 2), PRAGMATA é um jogo de ação, aventura e ficção científica com mecânicas de hacking.
Ambientado na Lua, em um futuro próximo, a história acompanha uma dupla improvável em uma missão de escapar de uma estação lunar infestada com robôs hostis. Neste jogo, os jogadores controlam o explorador espacial Hugh e a enigmática androide Diana. Cada personagem possui habilidades e capacidades distintas, e eles devem trabalhar juntos para hackear, combater e superar obstáculos enquanto buscam um caminho de volta para a Terra.
Mas e aí, o jogo é bom ou não? Já temos que falar logo de cara pra tirar do peito e deixar bem claro: o jogo é excelente, e estamos apaixonados. Nessa matéria, vamos analisar o jogo em cinco tópicos principais, com alguns subtópicos: jogabilidade, gráficos, som, narrativa e diversão. Bora lá!
*Análise feita no PC
Jogabilidade & Gameplay:
Já começamos dizendo que o controle (ou joystick para alguns) é seu principal aliado; o próprio jogo recomenda, inclusive, o uso dele para uma experiência mais fluida.
Hugh e Diana funcionam como um só personagem – Hugh é o aspecto de força física, e Diana é o aspecto de habilidade mental refinada, com toda sua destreza e conhecimento para hackear. Juntos, eles podem andar, correr, pular e planar com o sistema de propulsão.
Hackear é o principal foco do jogo. Você usará a tecnologia de Diana para abrir portas, desvendar mistérios, resolver puzzles, atacar inimigos ou simplesmente enfraquecê-los.
Um grande aliado do hackeamento é o bom e velho tiro, que ganha tempo para Diana. Ao longo do jogo, podemos adquirir várias armas, divididas em quatro tipos principais: arma base, rifles/escopetas, armas pesadas e armas de apoio. Num geral, todas elas são bem úteis, mas algumas possuem nomes um pouco difíceis e desnecessários, na nossa opinião.
Os inimigos possuem graus de dificuldade para hackeamento e combate. Bossfights são difíceis, e é preciso saber conciliar os tiros com os momentos de hacking. Os bosses possuem comportamentos que remetem ao estilo “souls like” – é necessário decorar os movimentos deles e traçar estratégias.
Também há no jogo um tipo de save room (não possui esse nome, mas podemos nos referir a ele assim), que serve como local para salvar o jogo, aprimorar itens e personagens, fazer sidequests, organizar o seu inventário e interagir bastante com a Diana, o que gera momentos adoráveis que deixam o coração quentinho.
As sidequests são bem divertidas e todas estão bem ligadas à história principal e ao contexto do jogo como um todo. É possível explorar o mapa por inteiro a qualquer momento do game, desde que você tenha desbloqueado os trechos que deseja visitar.
Ao voltar em certos trechos pelos quais você já tenha passado, será necessário enfrentar novamente os inimigos que já derrotou anteriormente. Isso, em alguns momentos pode acabar sendo irritante ou mesmo frustrante.
Conforme você avança no jogo, se torna possível desbloquear novas armas, evoluir a vida e a defesa dos personagens e liberar e aprimorar novas habilidades para Diana. O sistema de evolução é bem natural e satisfatório.
Diana adquire um "sistema de análise de ambiente" com o passar do jogo, assim como o Batman na trilogia Arkham. Esse sistema permite identificar objetivos e também itens de maior importância – e alguns deles vão servir para te levar automaticamente para uma pequena sidequest.
Na procura por sidequests e por objetivos, é possível notar que o jogo às vezes proporciona um level design confuso de propósito, e outras vezes proporciona um mapa bem linear e condizente com o ambiente em que você está. PRAGMATA também te dá bastante liberdade para explorar todos os ambientes e "cantinhos" do jogo, o tipo de lugar que você olha e pensa "se eu ativar o propulsor na hora certa, consigo alcançar aquela parte".
O jogo possui um sistema bem legal para escaparmos da imobilização de inimigos: você precisa resolver um pequeno puzzle, em poucos segundos, para se soltar do inimigo e evitar dano. Errar esse puzzle pode te causar a vida, o que acaba tornando esse momento decisivo e desafiador.
Os personagens comentam sobre os acontecimentos do jogo e trocam opiniões sobre certas situações. Quando você falha em uma missão, alguns desses comentários podem ser dicas ou mesmo a solução dos seus problemas. Um pequeno incômodo que tivemos com esses comentários dos personagens foi que, em diversos momentos, as falas foram cortadas quando, por exemplo, um inimigo aparecia ou os personagens avistavam algo.
Ainda na parte de gameplay, gostaríamos de comentar que as bossfights finais do game são excelentes. Uma delas em especial possui um conjunto perfeito de gameplay, trilha sonora, e carga dramática que, sinceramente, não víamos há anos.
Gráficos:
Esse é um aspecto no qual a Capcom acerta há anos, e em PRAGMATA não foi diferente. Os gráficos do game são lindos, nível Resident Evil Requiem. E aqui, inclusive, temos a exploração de outro aspecto da RE Engine, com a construção de ambientes “futuristas” e mais "viajados". Genuinamente gostamos muito da estética e da composição que o game apresenta, e em alguns momentos isso torna o todo ainda mais lindo. A cena da praia que aparece em alguns materiais de divulgação é um exemplo perfeito – o contexto, os diálogos e a trilha já tornam tudo incrível, mas os gráficos reforçam todos os aspectos anteriores e deixam tudo ainda mais emocionante.
Algo importante que temos que mencionar é a otimização. Não temos um computador tão potente, mas ainda assim conseguimos ter uma experiência extremamente agradável jogando o título. Mesmo deixando os gráficos mais reduzidos, conseguimos encontrar visuais lindos, com poucos bugs ou travamentos. Junto com Requiem, esse game se torna um dos mais bem-otimizados da história da Capcom.
Trilha sonora:
PRAGMATA, por ser um jogo com muita ação, possui em boa parte da gameplay um tom frenético em sua trilha. Sentimos uma pegada de trilha sonora de anime, com uma sensação mais futurista e tecnológica. Tiveram alguns momentos em que chegamos a parar de movimentar o personagem, só pra poder apreciar com calma a música que estava tocando.
Já nos momentos de maior carga dramática, o game simplesmente brilha com a trilha sonora mais emotiva. A música coroa todo o momento e eleva o sentimento à décima potência.
Sons:
Esse é outro aspecto onde a Capcom não erra há muito tempo, e os efeitos sonoros de PRAGMATA são de fato excelentes. Dos efeitos de tiros aos barulhos dos inimigos, a engenharia de som é muito bem feita. E apesar do game ter sua força no estilo de ação, em muitos momentos os sons são essenciais para a jogatina. Seja para analisar o seu ambiente a partir deles, ou mesmo para simplesmente se sentir mais imerso na atmosfera. Destacamos aqui a primeira vez que o jogador sai da estação e passa a estar no “vácuo”. Batemos o martelo: jogar esse jogo usando um headset deveria ser obrigatório.
A única observação negativa que podemos fazer é sobre a equalização de todos os sons. As configurações padrão vêm com tudo no volume máximo, e há momentos em que é difícil prestar atenção nos diálogos dos personagens, que entram em conflito com trilha sonora e efeitos. Recomendamos que você ajuste o volume nas configurações de jogo assim que você iniciar sua jogatina. Isso vai, com toda certeza, proporcionar uma experiência mais agradável.
Dublagem
Não podemos deixar de citar uma das nossas partes favoritas dos jogos: a dublagem! Mais uma vez tivemos o prazer de ter uma dublagem em PT-BR feita pela Rockets Audio, estúdio que foi responsável também pela dublagem de Resident Evil Requiem. Dessa vez, tivemos como diretor de dublagem o grande Renato Hermeto!
Sinceramente, não nos surpreende nem um pouco o fato de que tivemos uma dublagem incrível. No papel de Hugh, tivemos a voz do carismático Mckeidy Lisita (Rocket Raccoon em Guardiões da Galáxia, e o atual dublador do Salsicha de Scooby-Doo), e interpretando Diana tivemos a incrível dublagem de - rúfem os tambores - Marina Mafra, a dubladora que há pouquíssimo tempo deu voz à Emily em Resident Evil Requiem.
Vocês já sabem como a dublagem é importante para a imersão e experiência de um jogo, mas em PRAGMATA isso tem uma importância ainda maior, já que temos poucos personagens ao longo da história. Assim, uma mera "escolha errada" de elenco ou um dublador desempenhando um papel em nível abaixo do necessário seria um problema grande suficiente para arruinar a experiência do jogador.
E aqui, felizmente, vemos o total oposto disso. Todos os dubladores estão perfeitos em seus papéis, e Marina e Mckeidy dão um show de atuação. Nos envolvemos demais com os personagens e com a história, e muito disso está diretamente conectado com a localização ímpar que recebemos. Eu quero destacar, ainda mais, a dublagem da Diana. Sentimos que ainda veremos a Marina Mafra em muitos outros projetos de peso num futuro próximo.
Fica aqui os nossos parabéns a todos os profissionais da Rockets e a todos os dubladores. Não podemos esquecer do mais importante: viva a Dublagem Viva!
*Observação: por conta do curto tempo que tivemos para jogar e analisar tudo, ainda não zeramos PRAGMATA em inglês.
História/Narrativa:
Em PRAGMATA, nós vemos a Capcom aplicar com maestria o seu vasto currículo em contar histórias que bebem sim de muitas fontes, mas que ainda assim transmitem ao jogador uma sensação de frescor. Ali, no coração da narrativa, há dois grandes temas sendo debatidos, extremamente atuais no nosso mundo. Um deles é naturalmente controverso, e o outro não possui tantas polêmicas na vida real, mas foi trabalhado com toque de possibilidade: e se?
PRAGMATA também aborda diversos assuntos que soarão familiares para fãs de Mega Man, Dead Rising e Resident Evil. Inclusive, acreditamos que em muitos momentos essas semelhanças nos assustariam se esse não fosse um jogo da Capcom. Mas, no fim das contas, concluímos que era só a empresa fazendo o que sabe fazer melhor.
Hugh e Diana conduzem a própria história juntamente com o jogador, mediante aos desafios apresentados e a curiosidade de ambos os lados, tanto do jogador quanto dos personagens. E isso acaba sendo um grande diferencial. Os dois protagonistas são tão expressivos e vocais quanto ao que acontece que acabam fazendo você se sentir na pele deles ao enfrentar uma determinada situação e poder vê-los reagirem de forma condizente a isso. Essa vocalização excessiva dos personagens não soou de forma alguma forçada ou enjoativa, mas acabou por sustentar muito a história do jogo, já que temos praticamente apenas dois personagens em PRAGMATA, salvo uns e outros que aparecem ocasionalmente.
A história nos guia por um caminho sem tramas mirabolantes, deixa boas pistas e entrega o que propõe. A grande questão da história de PRAGMATA não é exatamente o porquê disso e aquilo estar acontecendo, e sim, “vamos juntos descobrir isso?” - e com juntos queremos dizer Hugh, Diana e o próprio jogador/observador, como um trio. O jogo logo de cara faz com que a gente desenvolva carinho pelos personagens e gostemos deles, e isso não porque eles possuem diversas camadas e nuances, mas sim porque são extremamente amáveis e parecem até bons demais para estar vivendo todo aquele caos ali.
Hugh, como figura paterna dessa relação, protege Diana tanto no aspecto físico como no “mental”, a blindando de algumas coisas. Sentimos, inclusive, que há algumas interações entre Diana e Hugh que vão entrar fundo no coração dos jogadores adultos, ou que são pais. Diana, representando a figura de filha, proporciona uma desafiante e prazerosa jornada para Hugh, onde ele aprende, ensina e vivencia aquilo que jamais pensou que iria. PRAGMATA entrega um enredo final e um encerramento de jornada muito condizentes com o que prometeu desde o início.
A história do jogo não é exageradamente elaborada, nem possui grandes revelações, mas foi com isso que nos conquistou: não é um grande banquete, recheado de novas sensações e sabores; é aquele delicioso arroz com feijão, feito pela sua avó ou sua mãe. É o básico tão bem feito que acaba se tornando uma das melhores refeições da sua vida.
Tópico Extra | Referências:
O game é recheado de easter eggs e referências à cultura pop, que se revelam em aspectos diversos e acabam entregando momentos divertidos ou mesmo bem familiares.
De forma bem resumida gostaríamos de citar algumas: 2001, Inception, Neon Genesis Evangelion, Attack on Titan, Halo, Resident Evil, Devil May Cry, Portal e Padrinhos Mágicos.
Isso, inclusive, nos agradou muito. PRAGMATA, apesar de ter muitas referências a produtos ocidentais, possui uma identidade japonesa marcante (coisa que Requiem, título anterior da Capcom, não manteve e que foi responsável por descaracterizar o jogo em certos aspectos).
Considerando tudo isso, para PRAGMATA damos uma nota sólida e muito merecida: 9.3/10.
O jogo será lançado oficialmente no dia 17 de abril de 2026 (sexta-feira), para Playstation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e Steam.
Fica aqui o nosso agradecimento mais do que especial à Capcom Brasil por nos ceder uma key e possibilitar que essa análise fosse feita, com tanto carinho. Fica aqui nossa torcida pelo GOTY, porque esse jogo com toda certeza já mora no nosso coração.
*Análise por Nícolas Carmo & Luisa Borges
Assista também a nossa análise em vídeo no Youtube:









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