ANIMEDIEVAL, Primeira Edição: Como foi?



O evento foi realizado há um mês e já gerou burburinho o suficiente para viabilizar uma segunda edição em agosto


O evento Animedieval surgiu propondo algo diferente da maioria dos eventos - ser o primeiro dedicado igualmente aos públicos geek e geek-medieval de São Paulo. Com isso em mente, não focou apenas em garantir boa música, dança, hidromel e combate, mas também trouxe muitas atrações como um dubladores para meet & greet, cosplayers, artist alley e imprensa especializada.

Nossa equipe esteve presente no dia 22 de março, a convite dos organizadores, para fazer a cobertura completa dessa primeira edição. A nossa vivência e a nossa análise estão aqui e, desde já, agradecemos ao Animedieval pelo convite!


Entrada:

A primeira coisa que notamos quando chegamos foi a organização da entrada. A fachada do Open Bar Club - local onde foi realizado o evento - estava bem delimitada por grades, que nos guiavam naturalmente até a entrada. Lá, eram conferidos os ingressos e dadas pulseiras de identificação. Também havia um esquema de segurança na porta, sendo feita uma revista completa em cada pessoa que adentrava o evento.


Como era o local, no geral:

Entrando no espaço, sentimos que não era tão aberto ou mesmo muito bem iluminado, o que tornava um pouco incômodo andar pelo evento. Em muitos momentos, isso acabava gerando não só uma sensação de claustrofobia, mas também dificuldade de ver os estandes do artist alley, desorganização nas filas de meet & greet e inacessibilidade ao espaço do palco - que ficava uma das áreas principais de circulação do público. Mas, como haviam espaços abertos da fachada e dos fundos, isso podia ser contornado brevemente se você quisesse descansar ou tomar um ar. Outra coisa que também ajudou a compensar esse incômodo foi a pracinha na quadra de trás do evento. As pessoas, já tendo passado pela revista na entrada e ganhado as pulseiras de identificação, puderam circular livremente pela área por algum tempo - o que depois foi impedido pela segurança, provavelmente para evitar brechas.

No geral, deu pra perceber que o evento não é completamente acessível para pessoas com algum tipo de deficiência física, devido à dificuldade para circular livremente e à falta de locais para sentar; também não é ideal mesmo para quem quiser aproveitar a estética medieval, vestindo um traje maior, acessórios etc - o que acaba indo contra a própria estética e proposta do evento, que deveria englobar tudo isso.



Segurança:

Apesar de muito educados e esforçados em ajudar, os membros da staff e da segurança pareciam muito mal-informados, e estavam tentando obter ou confirmar informações uns com os outros a todo momento, sem muito sucesso. Algumas perguntas básicas, como a localização do banheiro e do guarda-volumes ou sobre as filas do meet & greet não puderam ser respondidas por boa parte da staff.


Alimentação e bebidas:

Nossa equipe não chegou a comprar nada no evento ou mesmo verificar preços, pois levou lanches de casa. Ainda sim procuramos o que havia disponível nos arredores, por precaução.

Logo ao lado do Open Bar Club havia uma lanchonete, que podia ser uma opção prática pra quem sentisse fome ou sede e não quisesse procurar outros lugares por perto. Dentro do evento, encontramos um um bar onde podíamos pedir bebidas diversas - como água, refrigerante, drinks e hidromel - e também vimos uma lojinha próxima ao artist alley que vendia doces temáticos. Mesmo sim, pudemos observar que a maioria das pessoas acabava buscando alguns comércios nas redondezas do evento para se alimentar.


O artist alley:

Pelo que pudemos ver, além de movimentado, o artist alley estava recheado de trabalhos e itens maravilhosos, especialmente na temática medieval e geek-medieval. Acabamos não conseguindo aproveitar muito aquela área, por conta da dificuldade de locomoção.


Sobre o meet & greet:

Para a nossa equipe, os meet & greets provavelmente foram o ponto que merecia mais atenção. Como parte da cobertura especializada passamos a maior parte do nosso tempo lá, no olho do furacão, ao lado dos dubladores - que foram extremamente simpáticos e atenciosos, apesar de toda a confusão. Não só as filas estavam desorganizadas e eram cortadas pela área do palco, mas as pessoas não tinham orientação clara de onde ficar e para onde ir. Também não havia um plano para controlar o fluxo de pessoas ou mesmo o tempo que elas poderiam ficar ali para tirar fotos e conversar com os dubladores. Isso acabou gerando vários desencontros, irregularidades e falta de atualizações corretas sobre o horário de cada meet & greet. Como forma de contornar os atrasos de forma simples e rápida, foram escolhidas pessoas nas filas de cada meet & greet para serem as últimas a participar e "delimitarem" o acesso. Confuso, estressante e bem improvisado.

A comunicação era fraca e ineficiente, mesmo que houvesse esforço para tentar organizar tudo na hora. Talvez tenha sido falta de planejamento claro, ou mesmo o número de pessoas que surpreendeu os organizadores. Com certeza é algo que precisa ser mais bem pensado para a próxima edição.


Aos cosplayers:

Pela configuração do espaço em que a primeira edição foi realizada, eu não diria que é um bom evento para você, cosplayer, ir usando uma armadura grande, roupas quentes, capas longas ou grandes acessórios - pelo contrário. O evento não disponibilizava camarins para os cosplayers (e devido ao local, nem conseguiria comportar isso), que tinham que se trocar no banheiro. Nosso amigo Victor Ookami, fotógrafo e cosplayer (no Instagram, @ookamicosplayer), pode dar um panorama melhor para a nossa equipe sobre como foi o evento para ele, como cosplayer:


"Na entrada eu fui bem recebido, me revistaram normal e tudo certo; [...] eu senti alguns staffs meio perdidos e perguntando pra outros onde ficavam algumas coisas. Me ajeitei num espelho no andar de cima, pois por sorte o meu cosplay até que era fácil de usar. [...] O espaço era realmente pequeno para se locomover, e escuro também. Eu mesmo adoro Artist Alley, mas não pude observar bem o que as pessoas estavam vendendo e expondo no andar de cima. Já no de baixo dava para ver mais coisas, mas mesmo assim com um espaço menor para transitar, acho que alguém com um cosplay maior não conseguiria andar por ali. Também achei um pouco desorganizada e confusa a fila (do meet & greet. Os dubladores em si foram ótimos em atender a gente, mas acho que tendo um foco em chamar cosplayers de RE para prestigiar o dublador do Leon, teria sido interessante de eles fizessem uma foto dele com todos os Cosplayers de RE ali presentes."


Considerações finais:

Nossa nota para essa edição? 6,5/10.

Analisando diferentes pontos do evento - em especial questões de espaço, circulação, acessibilidade e organização - sem esquecer que se trata de uma primeira edição, podemos dizer que foi uma experiência mediana. Acima da média, para um evento iniciante, mas que tem pontos essenciais a serem observados e corrigidos. Tendo visto a dedicação e esforço dos organizadores para fazer um bom evento, temos certeza de que boa parte desses problemas receberão a devida atenção e serão corrigidos a tempo da próxima data.

A segunda edição do Animedieval está marcada para o dia 16 de agosto de 2026 (domingo) e será realizado no mesmo local da primeira edição, agora com novo nome: Art Club Lounge.


Para os interessados em mais informações sobre o evento, credenciamento cosplay e atrações, sigam o perfil do evento no Instagram (@animedieval_).

Fica aqui o agradecimento da nossa equipe pelo convite e pela oportunidade de cobrir a primeira edição desse evento tão promissor!


*Matéria escrita por Luisa Borges 

**Consultores: Nícolas Carmo e Victor Ookami