Entrevista com Stephany Custodi, dubladora de Grace Ashcroft em Resident Evil Requiem

 

O Resident Evil Project teve a oportunidade de entrevistar a talentosíssima Stephany Custodi, dubladora de Grace Ashcroft em Resident Evil Requiem, que compartilhou diversos detalhes sobre o trabalho de localização em português brasileiro no mais novo título principal da franquia.

Desde seu lançamento em 27 de fevereiro de 2026, Resident Evil Requiem impressionou os fãs brasileiros com uma dublagem brasileira de alta qualidade. E como parte essencial dessa dublagem que encantou os fãs temos Stephany Custodi, dubladora de Grace Ashcroft, protagonista de Requiem!


Esse bate-papo faz parte da nossa cobertura de Resident Evil Requiem mas também faz parte do nosso especial de 30 anos da franquia, onde estamos entrevistando alguns dubladores que trabalharam na franquia.

Confira a seguir uma transcrição da entrevista, também disponível em nosso canal no Youtube:


LUISA: Então, Stephany, aquela pergunta pra gente começar a entrevista, pra gente pegar os primórdios da Stephany, atriz. Quando você descobriu que você queria ser atriz, Stephany? E como você foi pra essa área da dublagem? 


STEPHANY: Ai, nossa, já amei essa pergunta, logo de cara, já começou bem, maravilhosa. Olha, eu descobri que eu queria ser atriz desde pequena, quando eu nem sabia o que era isso na real, né? Já gostava de dublagem, já brincava de atuar, era uma brincadeira pra mim. Então, sempre foi muito divertido a ideia de atuar, de viver outras histórias que não as minhas histórias. Então, desde pequena, pegava um filme para assistir, assistia tantas vezes que até praticamente decorava o filme de tanto que eu assistia. E aí, o que eu gostava de fazer? Pegava o microfoninho, plugava o microfone ali no aparelhinho de DVD, tinha caixa de som junto ali embutido, aí o que eu fazia? Minha vó sobressaía no microfone, aí eu brincava de dublar, de redublar o filme, já conhecia a história, já tinha até as falas dos personagens na cabeça, recriava as histórias, enfim, era uma brincadeira que eu curtia muito. Então, Acho que, a partir desse momento, eu já sabia que eu queria ser atriz, quando, na real, nem sabia exatamente o que era. Então, eu digo que posso dizer que foi nesse momento, de quando eu era bem criança mesmo, brincando. E aí, a decisão mesmo de ser atriz, de fato, veio muitos anos antes, né? Quando a gente começa a pensar, né? Ah, o que eu vou fazer da vida vestibular e tudo mais. De primeiro momento, não levei a sério a ideia de ser atriz. Até iniciei um outro curso, fonoaudiologia, peguei uma bolsa pra fono, gravei... gravei, ó (risos), a gente usa essa palavra tantas vezes no dia (gravei) que... só sai! 


LUISA: Grava na memória e fica (risos). 


STEPHANY: Fiz um tempinho de fonoaudiologia, mas o bichinho do teatro, da interpretação, tava ali me picando todos os dias e falando "cara, vai fazer o que você gosta, vai fazer aquilo que te brilha os olhos". E aí é isso. Mas a decisão mesmo de ser atriz veio antes, depois, quando eu ainda estava relutante de imaginar se realmente daria certo, se eu conseguiria entrar na dublagem. Mas enfim, foi uma aposta e que bom que eu apostei nisso. 


LUISA: Que bom, que ótimo que você apostou, porque hoje em dia você tá cada vez mais conhecida pela qualidade do seu trabalho, pela sua entrega, e é muito curioso ver que a sementinha tava desde pequenininha lá, quietinha, guardadinha, esperando ser regada. Então é uma trajetória muito bacana a gente poder ver isso assim. 


STEPHANY: Ai, nossa, eu sou suspeitíssima, mas sim, cara, que... Sério, que satisfação poder dizer que eu trabalho com dublagem hoje, porque eu realmente sou apaixonada pelo que eu faço. Eu me divirto todos os dias trabalhando com dublagem. É de uma paixão genuína, assim, trabalhar com a voz pra mim é... É absurdo de incrível! Gosto demais! 


LUISA: Ai, que maravilha! Que maravilha! Amei! E a dublagem é muito importante pros fãs também, né? E como você pôde ver, a nossa comunidade em especial é muito exigente, né? E valoriza muito esse trabalho. Então, esse é um dos motivos também pelo qual é extremamente importante ter você aqui. A gente quer registrar cada pessoa que passa pela franquia, que participe, que torna essa franquia o que ela é hoje. São 30 anosde história, teve o lançamento do Requiem, então é muita coisa. E é muito bacana ver essa trajetória porque é um efeito borboleta gigantesco, né? 


STEPHANY: Ai, que linda! De verdade, eu fico muito, muito feliz de ter agradado vocês, fãs da franquia. 


LUISA: Pra caramba! 

 

Stephany: Como você falou, 30 anos, fez 30 anos esse ano de existência. Só alguns games foram localizados, mas eu sei da importância que tem a localização de games pra quem joga, né? Afinal de contas, você tem que estar imerso na história, né? Você tem que estar ali prestando atenção na jogabilidade, na história em si, e se você para pra ler uma legenda, você perde parte da experiência que é estar jogando. Então, eu fico realmente lisonjeada e muito feliz de saber que o meu trabalho na localização agradou vocês e que contribuiu pra essa experiência de imersão. Satisfação imensa, total, 100%. E obrigada, de verdade, pelo espaço. 


LUISA: Imagina, imagina. É um prazer ter você aqui conosco, de coração. 




LUISA: Stephany, como é que surgiu a oportunidade de você dublar a nossa amada Greicinha Ashcroft" em Resident Evil Requiem? E como foi a sua experiência com esse trabalho? 


STEPHANY: Ah, "Greicinha", que fofinha! Ah, olha, a oportunidade surgiu através de um teste, né? Quando chega, assim, um personagem novo, né, num game, dentro e um estúdio de localização de games, a gente passa normalmente por testes pra gravação dos personagens protagonistas, né? Normalmente é assim que funciona, e foi o caso em Resident Evil. Recebi a roposta do teste de um game, que eu não fazia ideia do que se tratava na época que eu estava gravando, foram duas tomadas de teste, e eu gravei tendo referência do áudio original. Mais uma vez, sem fazer a menor noção de que se tratava de Resident Evil. Eu só fiquei sabendo realmente que eu gravaria a Grace no momento da primeira gravação oficial mesmo, quando já tinha passado no teste. Então, fui chamada pelo estúdio Rockets Audio, e aí a gente fez a gravação desse teste, e, cara, esse trabalho me trouxe muita, muita satisfação, assim, como atriz, porque um game, a gente tem uma imersão muito legal, né, a gente tem a oportunidade de ter uma imersão muito legal como atores da voz mesmo, porque são muitas horas de trabalho, né? Normalmente um game é um material longo, então demanda dias de gravação. Então eu senti que eu consegui me conectar muito com a personagem, explorar muito da personagem. A atriz que fez a voz original da Grace, e a captura de movimentos, foi excelente executando o trabalho dela então ter ela como referência foi outra outra coisa que enriqueceu muito a experiência de localizar esse game né, ali o dia a dia de trabalho de gravações com a Grace. Então assim, eu digo que a Grace foi uma das minhas experiências mais ricas mesmo na dublagem até hoje. Como atriz foi muito intenso viver a Grace. E de verdade é uma personagem "xodózinha". Ela virou uma das minhas "xodózinhas", com toda certeza. E tô ansiosa pra poder viver a Grace novamente. Espero que em breve, né? Quem sabe? 


LUISA: Com certeza, por favor! Petição pra Capcom trazer a Grace aí de novo e trazer a Stephany pra essa dublagem!. 


STEPHANY: Ai, por favor, porque a gente fica órfão quando acaba um trabalho que a gente gosta muito de gravar. Eu fiquei órfã da Grace. Então vai ser um prazer gravar ela de novo. 


LUISA: A gente como fã já tá orfão, porque a Grace, ela foi um fenômeno. Que desde que ela apareceu no primeiro trailer, aquele jeitinho dela, aquela coisa... Ela tem esse carisma natural dela, apesar dela ser muito tímida, muito retraída. Então, logo de cara, os fãs já se conectaram muito. E o seu trabalho traz isso pra perto de nós, da nossa realidade, da nossa vivência, o áudio é muito importante pra todos nós. Então, nossa, foi surreal, pelo amor de Deus, a Capcom tem que trazer essa menina de volta... 


STEPHANY: Ai, que linda!


LUISA: E trazer você de volta também. 


STEPHANY: Nossa, eu fiquei muito, muito feliz com a aceitação de vocês, fãs da franquia, com a Grace, porque é uma personagem nova. Então, rolava uma preocupação, assim, da minha parte, né? Eu pensava, cara, será que a comunidade vai curtir a Grace? Vai aceitar bem a personagem, né? Vai curtir jogar com ela? E... Enfim, não preciso nem comentar (risos). A galera curtiu muito a personagem, eu fico muito feliz por isso. E a Grace realmente é muito humana, né? Então é fácil se conectar com ela, como você falou. Ela traz muitos elementos humanos mesmo. Ela é muito sensível, ela é muito emocional o tempo todo, então... Saber que ela foi muito aceita pelos fãs da franquia, pelos fãs que já jogavam, pelos novos fãs que a saga conquistou, pra mim é de uma alegria imensa. Porque eu sou suspeita, mas a Grace é absurda. É uma personagem incrível mesmo. 



LUISA: A terceira pergunta é um pouco sobre essa caracterização da Grace, né? Que desde o início a gente vê que ela é caracterizada como uma personagem extremamente tímida, muito retraída, bem ansiosa e muito distraída até às vezes, né? Típico caso de uma pessoa que é muito solitária etá acostumada a viver mais dentro da própria cabeça ali. Então, é... Uma das expressões mais marcantes que a gente tem disso, é o fato de que ela gagueja muito, ela fala muito com ela mesma, né? Então, como é que foi pra você construir a voz dessa personagem que é tão complexa, tem tantas camadas e tanta sensibilidade? 


STEPHANY: Bom, o tempo todo eu tive ali a mão do Marco Nepomuceno, que foi o diretor de localização dessa obra-prima (risos). 


LUISA: Grande Marco, grande Marco. 


Stephany: Maravilhoso! E desde o início ele me apresentou a personagem, a complexidade que envolvia a história de vida dela, todos os traumas que ela carregou, tudo que ela vivenciou mesmo, para trazer essa característica em personalidade mesmo. Então, transitar por essas camadas da Grace mesmo, como atriz, foi consequência de uma boa direção, de uma boa referência do trabalho original também, do briefing que a gente recebe quando a gente tá ali preparado pra gravar, de todo o background que a gente é apresentado antes das gravações acontecerem, do material que a gente recebe, tanto em áudio quanto em vídeo. Tive acesso a alguns trechos em vídeo durante as gravações e isso tornou todo o trabalho muito mais imersivo. E a construção da voz da Grace se dá por essa personalidade sensível, dessas características que vem dessa personalidade e história de vida dela mesmo então é uma coisa levando a outra. Tem na cabeça a história da personagem ao mesmo tempo a gente vai ali aproveitando das referências em áudio em vídeo e no decorrer do trabalho a gente vai se conectando cada vez mais  com a personagem e a construção vai acontecendo. Vai acontecendo no decorrer. 


LUISA: Você sente que teve alguma coisa sua que você trouxe pra ela? Talvez alguma... Não vou dizer alguma vivência, mas algum traço da personalidade, algum sentimento ali de momento que você fala "hum, acho que acrescenta a ela, que me identifica"? 


STEPHANY: Uma característica minha que, tipo, enriqueceria o meu trabalho junto à Grace, é isso? Só pra ver se eu entendi a pergunta. 


LUISA: Isso! Perdão, não tava no roteiro, mas eu fiquei curiosa. Não posso 

perder a oportunidade. 


STEPHANY: É isso. Eu adorei a pergunta, inclusive. Eu acho que... A própria insegurança e enfrentamento da Grace é algo que aproxima muito a gente, como personagem, como eu Stephany. Bom, eu não vivi nem metade das coisas que a Grace viveu na vida dela, no quesito traumas passados, que fazem dela a personagem que ela é, a personalidade que ela tem. Mas eu sou muito insegura para muitas coisas, inclusive o teatro foi uma forma de eu sair da zona de conforto. Eu nunca gostei muito de me expor, a exposição sempre foi meio desconfortável para mim. Então, foi uma insegurança que eu tinha e enfrentei. E a Grace, ela enfrenta muito, né, nesse game. Ela aprende muita coisa nesse pedaço de vida dela. Que é um fragmento de vida, mas ela já cresce tanto como personagem enfrentando essa situação, né, que tá presente ali no game. Que, enfim, acho que é isso. Acho que ter vivido um pouco dessa insegurança, claro que de outra forma, mas ter vivido me ajudou na construção da Grace, com certeza. 


LUISA: Que bacana! Nossa, que bacana! Ai, fiquei emocionada! Porque a gente que é jovem e às vezes é um pouco mais tímido, mais retraído. Eu mesma, quando eu era mais nova, ainda sou muito nova, mas quando eu era mais nova, eu era totalmente Grace, totalmente retraída, totalmente tímida, gaguejava, mal socializava. Então, é algo que eu quis transformar em mim, porque eu senti o meu poder de comunicar. E a Grace, ela é uma personagem que eu me identifiquei nisso em muitos sentidos. Realmente, ela é extremamente humana. Eu, pessoalmente, me identifiquei muito. Outros colegas aqui do Project também. O Riel, em especial. Abraço, Riel, um beijo (risos). Então assim, ela se tornou uma personagem especial porque ela foge também daquele estereótipo de que todo herói é perfeito e totalmente capacitado e totalmente preparado desde o início. Que é bem irreal, porque assim, meu, tu tá vivendo tua vida normalmente. Tu tá fazendo teu trabalho normalmente, tu trabalha num escritório. Do nada te sequestram. Te botam trancado num lugar desconhecido com um monte de bicho esquisito. 


STEPHANY: Exato. 


LUISA: Ninguém vai ser 100% preparado antes, então assim, a não ser, claro, pessoas que têm treinamento prévio, tal, mas ela traz essa proximidade pra gente pessoal ali, aquela coisa, então é muito bonito, é muito bonito ver esse trabalho e essa entrega que você teve usando essa coisa sua também, é incrível, é incrível. Eu fico emocionada! 


STEPHANY: Olha que linda! E eu tenho certeza de que muita gente se conectou com ela pelos mesmos motivos. Isso é muito foda! Isso é muito legal! 


LUISA: Pra caramba! Pra caramba! Vai! Vai! 


Stephany: Mas é até um contraponto com o Leon, né? Porque o Leon, tudo bem que lá nos primeiros contatos que ele teve com esse universo, ele também era meio despreparadão. Mas assim, já diferente, porque ele sempre foi do combate, né? Ele teve treinamento pra isso e tudo mais. Já a Grace, não. A Grace, se viu ali, de repente, naquela situação em que ela precisou enfrentar. Ela precisou, né? Ela não tinha ideia de que ela precisaria. E aí, ela foi na raça mesmo, né? Tem que enfrentar? Tem que enfrentar! Então, vamos lá pela sobrevivência. E ela também foi apresentada a uma situação de quase que maternidade também. Que é o "link" que a gente faz com a Emily. Então, ela viveu muita coisa em um curto espaço de tempo. Ela cresceu demais. É lindo ver a evolução da Grace. 


LUISA: De verdade. E esse é um gancho também porque eu sinto que a relação dela com a Emily foi um ponto de virada muito bem definido também, ela teve a evolução gradual, ela foi tendo, mas a partir do momento que ela encontra a Emily, eu sinto que ela, que é uma pessoa totalmente retraída ali, quietinha dentro de si e tal, ela se põe ali para proteger a Emily e para se dedicar a Falar, não, eu vou salvar ela. Talvez eu não sobreviva, mas eu vou salvar ela. Ela é uma criança. Então, é um ponto de virada muito interessante também. E nisso temos mais uma pergunta. Stephany, qual foi a principal evolução que você notou na Gracie ao longo do jogo e você quis expressar no seu trabalho? Você acha que foi essa relação dela com a Emily? Ou a evolução mais gradual que ela teve por conta ao longo do jogo? 


STEPHANY: Sem dúvida o fato de que ela foi se tornando mais resiliente, confiante, no decorrer dessa história. Primeiro, por tudo que ela vem enfrentando, o contato com criaturas apavorantes pra ela, né. Não só pra ela, acho que pra qualquer pessoa. Até pro Leon. 


LUISA: Esses bichos são feios demais. 


STEPHANY: Nossa senhora. E tá na condição de sequestrada, o contato com a Amy, que é quase como maternal mesmo, ela realmente fica engajada em proteger e salvar mesmo a vida daquela criança. Salvar a si, mas em primeiro lugar a vida daquela criança. Todas essas circunstâncias foram calejando a Grace de uma forma gradativa e aí a gente nota a evolução. É realmente notável a evolução dela, né, por tudo que ela passa ali, de modo que o que antes poderia paralisar ela de medo, agora é uma situação que ela enfrentaria. Ela sempre foi muito corajosa, desde o começo. Pra mim, ela sempre teve muita coragem, mas ela vai ficando mais resiliente pra lidar com todas essas situações de uma forma diferente da Grace ali do início, que se vê sequestrada. "E agora o que eu faço?". Com certeza foi esse crescimento da personagem mesmo. Pra mim, foi a principal evolução.


LUISA: Eu concordo com você. Desde o início ela foi extremamente corajosa, porque ser corajosa não é não ter medo, é não se deixar paralisar.

 

STEPHANY: Exatamente! 


LUISA: Então, nossa, eu adoro ver como... Nossa, ela pode estar tremendo dos pés à cabeça e fraca, com a pressão baixa, falando "meu Deus, vou morrer, vou desmaiar, vou ficar nervosa, vou passar mal". Ela vai peita, ela vai, continua seguindo o caminho dela. 


STEPHANY: Ela faz o que tem que ser feito. 


LUISA: Exato. 


STEPHANY: E é como você falou, ela não deixa o medo paralisar, ela vai e faz 

o que tem que ser feito. 


LUISA: "Greicinha" Ashcroft, né gente, não tem o que fazer. Lendária, lendária. 


STEPHANY: Icônica. 


LUISA: Icônica, 100%, icônica. Ai, tô adorando. 


STEPHANY: Ah, eu também! Eu to amando as perguntas, nossa! Que criatividade pra entrevistar! Adorei! 


LUISA: Bom, a gente vai jogando, vai vendo ali uma coisa ou outra, vai tendo ideia, a gente vai matutando também o que a gente sentiu com o jogo, né? E é bem natural assim, mas é bem bacana! 


STEPHANY: Nada como um fã, né? que já tá ali acompanhando a franquia desde o começo, né, se deliciando com a história, pra criar as melhores perguntas mesmo, né, porque vocês são curiosos, vocês querem saber, como que se dá o trabalho por trás da criação daquele jogo que vocês tanto gostam. Então, cara, acho muito legal como a paixão de vocês levam vocês a serem geniais.

 

LUISA: Obrigada, obrigada. Nossa, eu fico muito feliz, de verdade. É um processo muito bacana de acompanhar. Porque é aquilo, se fosse assim, qualquer outra pessoa dublando, por exemplo - cá entre nós - ficaria muito bom. Cada um tem a sua qualidade. Nossa, aqui no Brasil a gente tem dubladores e dubladoras incríveis, maravilhosos. Só que você, o seu trabalho, entende? Nossa, é surreal. Não seria a Grace que a gente conhece, sabe? Então é muito bacana. 


STEPHANY: Você quer me fazer chorar? Você me avisa. Porque eu nem peguei lencinho. 


LUISA: Eu sou chorona. Eu tô com uns três quilos de base na cara. 


STEPHANY: Eu sou chorona também. Então vamos nos conter. 


LUISA: Em nome da maquiagem, em nome da edição. 


STEPHANY: Por favor! 


LUISA: É sério, eu fico muito... 


STEPHANY: Que linda, cara. Que linda! 


LUISA: Ainda mais porque, assim, a gente no OFF, a gente sabe a importância que às vezes tem, não só pra gente, mas pra amigos. Que esses personagens, que essas trajetórias e tudo mais tem, então... O trabalho de cada profissional é essencial pra isso, sabe? Então, de verdade, seu trabalho foi... Nossa, surreal. 


STEPHANY: Nossa, de verdade, você não sabe como eu fico feliz com esse reconhecimento. Porque a Grace foi uma personagem muito importante pra minha carreira. Então, de verdade, estar ouvindo tudo isso, principalmente de alguém que joga a franquia, de que é fã da franquia, é de uma satisfação inimaginável, sério. No momento que eu estava gravando ali, eu me perguntava, cara, como será a aceitação do público? Será que a gente vai agradar com o nosso trabalho? Será que eles vão aproveitar a experiência ao máximo, tendo o nosso trabalho ali no ouvidinho deles. Sério, ouvir esse feedback de vocês é... Cara, sem palavras pra descrever o quanto eu fico feliz mesmo. Obrigada por me deixar saber disso. 



LUISA: Na próxima pergunta, eu vou mencionar a nossa querida Moni. Um beijo, Moni, do Resident Evil Database. Gente, eu fico zoando a Moni porque eu falo que ela é a Madonna de RE. E ela fica… Nossa, ela deve falar "caraca, que garota chata". Porque eu fico pegando no pé dela com isso porque ela foi muito precursora e muito inspiradora pra nós, né. Então eu cito… 


STEPHANY: Gigante! Maravilhosa! E ela é um amor, eu tenho muito carinho por ela. 


LUISA: Eu cito ela com o carinho que eu tenho não só como fã mas que hoje em dia eu tenho o prazer de ser colega dela, então eu fico…

 

STEPHANY: Que privilégio, porque ela é uma pessoa maravilhosa. 


LUISA: Maravilhosa, ela é perfeita, de verdade. E que trabalho perfeito, né? 


STEPHANY: Nossa, a Moni é absurda. 


LUISA: Na entrevista com "Dona" Monique Alves, do Resident Evil Database, você contou um pouquinho sobre essa sua experiência prévia com Resident Evil, que você já tinha noção do tamanho da franquia, do que se tratava e tudo mais, né? Que você já jogou Resident Evil. Como é que foi a sua experiência jogando ali o jogo? Você jogou quantos, assim, mais ou menos? Você tem um favorito? Um personagem favorito? 


STEPHANY: Olha, eu joguei o primeiro Resident Evil, apenas o primeiro por enquanto, tá? Por enquanto, porque a minha pretensão é jogar todos. Principalmente porque eu sou fã de jogos de terror. Inclusive, o meu favorito é The Last of Us, que eu consegui jogar. Eu sou apaixonadíssima. Gosto muito de games de terror. E Resident Evil eu tive acesso através de gameplays, né, que eu vi no YouTube. Porque é impossível, impossível você ser um ser humano e nunca ter ouvido falar em Resident Evil. Vocês têm, né, essa noção. Mas, assim, um leigo, por exemplo, né, que não é do universo do game, às vezes não tem o parâmetro. Então eu já acompanhei algumas gameplays e quis jogar o primeiro já para me inserir no universo. Isso já tem uns aninhos que eu comecei a jogar o Resident Evil 1. Eu zerei o Resident Evil 1, comprei para a Playstation 5, que saiu o remake. 


LUISA: Que bacana! 


STEPHANY: Eu não sei se eu posso dizer que eu tenho uma personagem favorita. Mentira, é a Grace (risos). É a Grace, tá? É a Grace. 


LUISA: A gente é suspeita pra falar, mas temos embasamento (risos). 


STEPHANY: Eu não posso deixar de ser suspeita por dizer que é a Grace, mas, bom, eu posso dizer que eu tive um contato profundo e bem imersivo com a personagem já que eu gravei a localização dela. Então, bom, é isso. Embora seja suspeito, eu acredito que seja justo eu dizer que ela é a minha favorita. 









LUISA: Houve algum momento nos bastidores ali da gravação, do processo da dublagem da Grace, que te marcou muito? 


STEPHANY: Nossa! Com certeza! Olha, me marcou muito gravar uma das cenas mais tristes com a Emily, né? Eu fiquei emocionalmente tão tocada, né, no momento... dessa cena, que vocês já sabem, quem jogou já sabe, que eu comecei a chorar mesmo enquanto eu gravava. Então eu precisei de um tempinho pra tomar uma água, me recompor um pouquinho, para retomar a parte mais racional e técnica que o nosso trabalho exige, mas me pegou profundamente, profundamente. Eu até me emociono quando lembro de como foi gravar essa cena. E assim, o diretor, o Marco, ele me falou desde o início, no primeiro dia que a gente tava gravando ele já me apresentou ali a personagem, todo o background, me contou por cima o que que viria a seguir, mas a gente foi mais descobrindo no decorrer. Ele me disse pra me conectar muito com a Emily, falou "olha, se apega muito nela", ele usou esse termo, "se apega muito na Emily". E aí eu levei isso do início ao fim. 


LUISA: Nossa, e olha, é uma experiência, porque essa cena a qual você se referiu, Era eu de um lado, o Nico do outro, os dois com a mão na cara, pausando o jogo, dando uma respirada a fundo e a lágrima descendo. 


STEPHANY: Impossível cara, impossível não se tocar muito com essa... né, passando por essa parte da história. 


LUISA: Foi lindo, foi lindo, simplesmente, sim. E, nossa, foi... De cortar o coração. Foi de cortar o coração. 









LUISA: Resident Evil tem essa tradição maravilhosa de ter protagonistas femininas desde o primeiro game, lá em 96, o que pra época era até pioneiro, né? E a gente pode dizer que você é a voz brasileira da principal mulher da franquia atualmente, de uma personagem que vai deixar uma marca eterna nessa franquia gigantesca que é Resident Evil. Como é que é pra você, não só profissionalmente, mas pessoalmente, saber disso? 


STEPHANY: Nossa, é de uma responsabilidade muito grande, né? Quando soube que eu gravaria a Gracie, né, essa nova protagonista feminina de um game que é tão aclamado, né? Que tem fãs tão apaixonados. Nossa, pra mim foi surreal de... É sério, gente, quando eu falo que eu não tenho palavras nem pra descrever, é real, eu não tenho. E eu não fazia ideia até que o game foi lançado, porque ainda era uma incógnita pra mim. A aceitação da personagem mesmo, na comunidade de fãs da franquia. Por ser uma personagem nova, sempre fica aquela preocupação de se vai agradar o público, se os jogadores vão se identificar com a personagem e tudo mais. E foi muito melhor do que eu imaginei, os fãs amaram a Grace e pra mim é um privilégio, um privilégio ter participado do trabalho de localização de games de uma franquia tão grande quanto Resident Evil. E mais ainda de saber que o meu trabalho agradou pra caramba e até hoje eu recebo mensagens muito carinhosas da galera jogando e falando que curtiu o meu trabalho na localização dela. E sério, pra mim é absolutamente gratificante e eu não tenho palavras pra expressar o quanto. É de uma responsabilidade enorme mesmo, eu fazia ideia disso quando eu tava gravando e... E eu fiquei com aquela ansiedade mesmo de agradar o público, né?Tanto quanto eu tava sendo agradada ali como atriz por estar emprestando a minha voz pra essa personagem. Porque, de verdade, quando eu digo que ela é um xodó pra mim, ela se tornou um xodó pra mim, é real. A Grace, ela ficou marcada na minha história, como pessoa. 


LUISA: Entrou pra história! Entrou! 


STEPHANY: Não só pra história, mas pra minha! Pra minha, Stephany! 


LUISA: E assim, de verdade, eu espero que a gente tenha Grace de volta na franquia o mais rápido possível, porque ela chegou chegando, chegou com tudo, entregou tudo, e o seu trabalho, nossa... A gente quer te ver muito ainda nessa franquia de volta, seja fazendo a Grace ou talvez outros personagens, porque... Tem alguns outros games aí que a gente tem que fazer uma localização retorativa, né? Tem um rumor aqui, outro aqui, pedidos dos fãs. Tem muito game ainda pra sair. E queremos "dona" Stephany Custodi dublando outros jogos da Capcom de Resident Evil. Capcom, estou de olho! 


STEPHANY: Por favor, vai ser um prazer tão grande. 









Sobre a Claire...

Stephany: Você viu que eu gravei, eu fiz um trechinho da... Você viu? No canal Ataque Crítico, ele colocou um trechinho pra gravar a Claire.


LUISA: A Claire, nossa! 


STEPHANY: A Claire do 2. 


LUISA: A Claire! 


STEPHANY: Eu amei esse desafio, eu fiquei mó feliz de fazer ali na hora. 


LUISA: Clare é a minha protagonista favorita!


STEPHANY: Mentira!


LUISA: E eu sou louca, eu sou louca maluca pra vê-la dublada. Então, eu vi aquele vídeo, eu entrei num modo de surto, que eu falei pro Nico "Nico, socorro, eu preciso ver uma dublagem". E a sua dublagem da Claire ficou... Nossa! Meu Deus! Ai, meu Deus! 


STEPHANY: Eu amei gravar ela, eu ia ficar feliz também de gravar (dublar), mas eu não vou poder gravar duas personagens. Infelizmente, isso não é possível, né? 


LUISA: Ó! Resident Evil tem suas "mutretas". Ainda há esperança no meu coração. 


STEPHANY: Tomara que você esteja certa. Sério, eu vou ficar... Olha... Eu vou ficar triplamente feliz. Se eu dublar também a a Claire. Se eu fizer... Nossa senhora! Nossa senhora! 


LUISA: Nossa, seria maravilhoso, de verdade. 


STEPHANY: Nossa! Eu ia ter um tréco. Eu não sei nem se eu ia conseguir chegar no estúdio pra gravar, porque eu ia infartar antes. 


LUISA: Consegue, consegue. A gente vai na vibe da Grace: tremendo, mas a gente vai. 


STEPHANY: Mas a gente enfrenta. 









Mensagem para os fãs sobre os 30 anos de Resident Evil


STEPHANY: Gente, olha, eu fico muito, muito, muito feliz pelo espaço aqui no Resident Evil Project. Eu fico muito, muito agradecida pelo convite, agradecida por você que leu até aqui, muito obrigada pelo carinho, obrigada por ter jogado localizado no nosso idioma, É, de verdade, eu fico muito, muito contente com todas as mensagens de carinho que eu tenho recebido de vocês. E, cara, gravar a Grace pra mim foi um presentão. E eu vou levar pro resto da minha vida essa história, essa personagem. Ela, como eu já falei aqui 30 vezes, pelo menos, ela se tornou um xodózinho, na minha carreira. Uma das personagens mais importantes da minha carreira e uma das personagens que eu mais curti gravar. Sério, eu fiz com muito, muito, muito carinho, muito empenho. E, de verdade, eu fico muito feliz de saber que agradei as galera que tá jogando aí. E é uma franquia que, gente, tá fazendo 30 anos, né? Esse ano completou 30 anos. É mais idade do que eu tenho. Eu tenho 29, tô quase lá. Mas, pô... Mais velha até do que eu! Então tem história e tem pano pra manga. E quero conhecer essa franquia de cabo a rabo ainda. Já joguei o primeiro, agora vou passar pro segundo. Vou fazer tudo bonitinho, na linha do tempo certinha. Porque, sério, essa franquia tá muito no meu coração. E eu quero conhecer tudo que há pra conhecer de Resident Evil. Quem sabe eu consiga maratonar todos os games ainda esse ano para comemorar esses 30 anos devidamente e é isso agradeço imensamente. Me sigam no instagram lá eu tô colocando os meus novos trabalhos, sempre que eu consigo. Sempre que eu consigo me expor um pouquinho, eu jogo lá. Então, fiquem à vontade para me seguir, é @stephanycustody. Toda novidade eu fico colocando lá, evento que eu vou participar. Fiquem ligados aqui no Resident Evil Project, que sempre tem post. E nesse momento aí que a gente tá vivendo dos 30 anos de Resident Evil, tem muita coisa acontecendo. Então, fiquem ligados aí!


A partir deste trecho da entrevista, nós fizemos algumas brincadeiras com a Stephany onde ela dublou uma cena clássica de Resident Evil 3 e também do próprio Requiem. Recomendamos fortemente que vejam a versão completa em nosso canal do YouTube para não perder nadinha deste bate-papo incrível.


Acompanhe a Stephany Custodi no Instagram: @stephanycustodi


Resident Evil Requiem está disponível com dublagem em português brasileiro para PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC, via Steam e Epic Games.

*Entrevista por Luisa Borges

**Transcrição por Nícolas Carmo